Descobertas Costa Nova

Situada no litoral norte de Portugal, a Costa Nova é uma pequena vila piscatória com longa tradição como destino de férias em família, desde os primórdios do século XVIII.

Toda a gente conhece as suas habitações típicas: os palheiros de madeira, pintados às riscas e habitados pelos pescadores locais durante o Inverno e o Verão.

A povoação recentemente tem-se modernizado e urbanizado, sofrendo grandemente os ataques do investimento e da especulação imobiliários, e o aumento de pequenos negócios voltados para o turismo.

Antigamente a Costa Nova não era propriamente uma povoação, mas um agregado de palheiros habitados durante o estio e o outono por uma parte da população de Ílhavo e de outras terras próximas, composta principalmente pelos pescadores de Ílhavo, cujas companhas ali trabalhavam naquela metade do ano somente, porque a costa não era praticável no inverno, e também de mercantéis (compradores de pescado para revender), das famílias que ali iam fazer uso de banhos de mar e dos que durante aquele período ali se estabeleciam com fornos de cozer pão, tabernas, mercearias, botequins e hospedarias.

Palheiros são o nome dado aos armazéns e casas construídas tanto nesta como nas demais costas deste litoral, em razão, talvez, de terem sido de palha, juncos ou tábua as que em tempos remotos nelas construíram.

Os palheiros da Costa Nova são casas de madeira e telhados, não podendo ser de pedra e cal, por serem construídas sobre areias movediças e por elas alagadas em mais ou menos tempo, carecendo (antigamente) de ser levantadas e mudadas de anos a anos.

Algumas das famílias de Aveiro, Ílhavo e Vagos começaram a ir fazer uso de banhos de mar à Costa Nova do Prado. Isto passava-se pelos anos de 1822 a 1824, sendo por esse tempo que se começou a fazer um ou outro palheiro por conta de alguns particulares com exclusivo destino para habitação no tempo dos banhos e a efectuar nos armazéns existentes alguns melhoramentos e divisões para os alugarem a quem os não tinha seus.

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Descobertas Bairro da Vilarinha

Os bairros sociais do Estado Novo nasceram como consequência do resultado de um inquérito realizado em 1936, que revelava a existência de 13.000 casas em “ilhas” na malha habitacional do Porto nos quais habitavam, em condições degradantes, cerca de 45.000 dos seus 240.000 habitantes.

Depois de ensaiados alguns projectos de habitação social plurifamiliar em blocos de vários pisos, o Estado Novo privilegia, a partir de 1933, a construção de bairros sociais unifamiliares de habitação económica, agrupados por classes para permitir uma hierarquização social, formando conjuntos que podiam construir manchas de apreciável valor estético nas cidades e vilas.

Os primeiros bairros, Condominhas, Amial, Ramalde e Paranhos, eram sobretudo constituídos pelas categorias A e B, destinadas a moradores de rendimentos mais baixos, enquanto que os bairros de Gomes da Costa, Vilarinha e Antonio Aroso, das categorias C e D, eram ocupados por moradores com rendimentos mais altos, nomeadamente funcionários do Estado.

No caso do Bairro da Vilarinha, edificado em 1958, foram construídas 202 habitações. As tipologias habitacionais eram casas individuais, com jardim e quintal, cuja organização obedecia a uma malha ortogonal onde se dispunham as casas individuais geminadas.

A própria toponímia das ruas com nome de flores, de vilas e de rios, para além da forma arquitectónica, faziam lembrar o meio rural. Hoje, este bairro readquiriu uma beleza ímpar, segredo da reabilitação: casas novas com almas antigas.